domingo, 25 de abril de 2010
A visita do Haru e mais uma semana
Precisamente ha uma semana atrás recebi a visita do grande ninja branco, Haru, com mais 4 amigos, todos vindos de Karlsruhe, ao sul da Alemanha. Sendo a segunda leva de turistas que eu hospedo, já estou pensando em promover a minha casa para um albergue ou algo do gênero.
Hospedar pessoas que querem conhecer Berlim tem se mostrado uma experiência bastante agradável, o conforto do lar decai muito, no entanto a sensação de casa cheia compensa.
Eles vieram na quinta-feira para cá, devido ao trabalho não pude acompanhá-los nos passeios que fizeram pelo centro da cidade e nem faço mais questão disso, mas consegui acompanhá-los na ida ao plenário alemão (Reichstag), ao aquário do hotel Radison e ao campo de concentração e extermínio Sachsenhaus. É sobre esse último que dedicarei a maior parte desse Post.
O campo de concentração e extermínio Sachsenhaus fica na cidade de Oranienburg, região metropolitana de Berlin, e além dessas duas mórbidas funções, serviu como um dos principais centros de treinamentos dos soldados da SS antes e durante a segunda guerra mundial. No dia 18 de abril o céu azul, com um agradável e relativo calor prestigiaram nossa visita ao Sachsenhaus, contribuindo sucintamente para manter nosso passeio uma experiência agradável mesmo estando ao recinto de tantos fatos tristes e acontecimentos sombrios.
A primeira coisa que nos chamou atenção foi notada mesmo antes de chegarmos aos portões do campo. Havia uma quantidade incomum, para os padrões alemães, de carros de polícia circulando pelas ruas. Quanto mais nos aproximávamos do Sachsenhaus, mais policias surgiam. Não que isso seja um fato para se preocupar, mas deveras aumentou o estranha excitação que eu estava sentido, que também fora provocada pelo entusiasmo de conhecer um lugar de que tanto ouvi falar a vida inteira.
Chegamos em fim. Na primeira construção do campo de concentração, encontramos um pequeno museu com artefatos muito interessantes, como por exemplo, uma garrafa com uma carta otimista que um interno do campo selou dentro de um dos muros que foram construídos pelos prisioneiros durante uma das muitas obras de ampliação realizadas na segunda guerra. Nessa carta, o prisioneiro, que se auto identificou pelo nome, nacionalidade francesa e religião judaica dizia que estava com saudades de casa por estar há 6 anos vivendo em Sachsenhaus, mas com os acontecimentos de abril de 1945, ele pressentia que as coisas logo iriam melhorar.
Pegamos os nossos audio-guides e partimos para a longa caminhada pela rua principal de acesso ao campo de concentração. Não demorou muito para percebermos que esse dia seria repleto de informações valiosas e aprendizado, mas sem capacidade humana hábil para absorver uma porção satisfatória de tudo. O guia auditivo nos tomava aproximadamente 10 minutos de explicação para cada um dos quarenta e poucos pontos de parada sugeridos, o que somaria aproximadamente seis horas e meia de escutar às horas que já gastaríamos simplesmente caminhando e visitando os estabelecimentos. Assim, decidimos pular muitos dos tópicos sugeridos pelo guia e prestar mais atenção nos artefatos dentro dos diversos museus e nas próprias construções do campo de concentração.
O primeiro museu ficava na frente da entrada principal para prisioneiros, local aonde estava forjada em ferro a famosa máxima dos campos nazistas; "Arbeit Macht Frei", ou; trabalho faz livre. Entramos nele e pudemos ter uma idéia das vestimentas da época, como por exemplo os listrados em azul e branco uniformes dos internos. Na caminhada adentro do museu encontramos um grupo de senhores de idade usando braceletes com as mesmas listras dos uniformes da época, mas eram feitos de tecido sintético moderno. Instantaneamente nossa curiosidade foi despertada e a maior surpresa veio logo em seguida! Um dos senhores, com idade entre 80 e 90 anos, estava usando um chapéu e um lenço de pescoço iguais aos mostrados na exposição, iguais até no aspecto surrado e antigo. Nos olhamos impressionados e perguntamos "será que ele realmente foi prisioneiro desse lugar?", nos concentramos nas explicações que esse senhor estava dando para o grupo de familiares que o acompanhavam, feito em vão, pois nada se falava além de polonês. Conseguimos entender alguns gestos que comprovaram nossas suspeitas e mesmo que não compreendo muito das falas, acompanhamos o ancião em sua explicação sobre os artefatos e fotografias da época, volte e meia uma parada era necessária para que o nosso surpreendente guia respirasse lentamente na tentativa de conter sinceras lágrimas de sofrimento.
Após aproximadamente uma hora, saímos do museus em estado de choque, hiper empolgados com o valiosíssimo momento que tivemos o privilégio de presenciar. Mau sabíamos nós que um dos dias mais emocionantes de nossas vidas estava apenas começando....
Obrigado pela a anteção, mas mais tarde eu continuo com a narração.
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PUTZ RO... DEVE SER UMA SENSAÇÃO DE ESTAR SAINDO DO ATUAL PARA UM LUGAR E TEMPO MUITO MISTERIOSO. SENTI ISSO QUANDO VISITEI O QUE RESTOU DAS TORRES GEMEAS. MUITA ENERGIA....IMPRESSIONANTE! DÊ
ResponderExcluirDi, realmente, muito sofrimento! É uma coisa inexplicável. Imagino a emoção de ver o senhor que era guia... uau......
ResponderExcluirEstou curiosa para a narrativa do resto do dia emocionante!
Ah, um conselho.. acho que vc poderia mandar um e-mail geral para a galera avisando sobre o blog! Nem todos tem vc no msn!
Bjos e amores!
Hermana
Nossa, acho que eu teria chorado ao ver o velhinho! E a polícia deve ter sido alertada da presença de brasileiros... HAHA
ResponderExcluirMas... Que tamanho tem esse lugar? Seis horas e meia de explicação? To começando a achar que metade da Alemanha é acervo histórico, no mínimo!
Abraços, saudades!
oi, digo, acabei de ver teu passeio, que maravilha ter tudo ai ao seu alcance, a terra dos teus bisavos. guarde tudo na tua memoria, ou se possivel fotografe para naum sair da cabecinha. beijos e te amo muito, oma.
ResponderExcluirPia muito legal seus relatos!
ResponderExcluirEspero poder visitar berlin um dia o/
abração, saudades aqui!