Pensava que o afastamento me livraria de certos fantasmas, mas surpreendo-me ao ver que preciso deles. Supreendo-me também ao ver que certos defeitos são tão necessários quanto as qualidades que semeio em mim e o mundo tanto preza.
Era esperado a continuação da Saga ao Sachsenhaus, entretanto com as semanas me cansei da história, que após mastigada parece-me muito mais entediante, é possível que a retome, mas... não hoje.
Hoje estou sentindo - além da saudades da terra natal e todos os seus sonhos - ausência de me expressar sobre a vida e as duvidas que a constroem. Isto me surgiu novamente à escolha, a cada decisão profunda tomada a cerca do que devo gostar mais, sempre me vejo seguindo para onde não devia nem ter me aventurado.
A escolha dessa vez nasceu da nostalgia, da saudade dos primeiros períodos da faculdade aonde o Stress era opcional e puramente martírico, ano em que a vida me permitia pensamentos livres de salários, subsistência e status social.
Venho da brevíssima conversa com um amigo uma leve pincelada desse passado que está escondido atrás da distância e toneladas de projetos eufóricos, senti um vão aonde antes era preenchido com as inúmeras noites em que nos reuníamos apenas para elaborar ideias que explicassem tudo. Hoje eu encaro como besteiras do entusiasmo muitos daqueles sonhos, anotações ou desenhos resultantes. Proveniências da chegada de uma nova fase.
As mudanças fazem novamente as pessoas recém nascidas. Com caráteres frescos, todos se identificavam com todos, em instantes fazem-se amigos de infâncias através de afinidades fictícias, que não são nada além do conflito das novidades com os primeiros processamentos viscerais de informação. Tais processos possuem tão poderoso aproximador por ocorrerem de maneira muito semelhantes de humano para humano, teoria que mostra-se plausível ao se imaginar a primeira reação de dois desconhecidos vestidos ao se depararem com um transeunte nu.
No entanto, cedo ou tarde sempre surgia alguma idéia que valesse mais do que esterco, tanto que devo à essas noites a minha interpretação sobre a vida. A planificação e detalhamento literal de algo que muitas pessoas ousam apenas definir com entidades divinas ou por frases minimalistas como "é porque sempre foi e assim deve ser" me trouxe um sentimento de auto-afirmação e engrandecimento que realmente fez a diferença. Como fez! Infelizmente, já faz muito que não sinto outro "Eureka" pessoal.
Se eu sentia esse êxtase com relativa frequência em momentos de profunda reflexão conjunta e não o sinto mais trabalhando e produzindo em um ritmo acima do normal. Estarei eu no caminho certo?
Acredito profundamente que não há resposta para essa pergunta, assim como não deveria nem existir a próprioa pergunta, pois o caminho que eu interpretarei como certo, é aquele em que eu possa me aproximar mais de algo que não seja um ser humano comum diluído em bilhões. Seria daí a origem da vontade de se deixar uma legado ou entrar para os livros de história?
Naquela época, no início de todos os novos caminhos, nossas cabeças fervilhavam de ideias sobre vidas fantásticas e a vontade de fazer diferente. Hoje, nenhum de nós está aonde sonhava estar, nenhum movimento artístico novo, nenhuma liderança política ou altruísmo homérico. A vida friamente se mostrou uma barreira mais alta e lisa do que queríamos e do esforço da luta veio a alguns o conformismo, novos caminhos de conforto auto-protetivo e sonho apagados na neblina. Assim chega o outono. Por mais nórdico que o seja, ainda outono.
Espero que em breve possamos nos auto-intitular mais uma vez como "Os Deuses das nossas folhas em branco".
(à vida e tudo o que elas nos traz ou deixa de trazer)
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Garotinho....
ResponderExcluirSinto-me surpresa com a sua filosofia.
A cada post no blog percebo que vc tem uma qualidade nata para escrever. Facinante!
Esse último post me levou a inúmeras reflexões, amei!
Escrever faz bem para a mente, ainda mais nos momentos nos quais você se sente só.
Amo-te.
Bjos Caro
oi, garoto, como vc esta escrevendo, precisa pensar bem pra entender tua filosofia. parabens, vc me orgulha muito.beijo, oma.
ResponderExcluirAcho que foi o Ghandi que falou: "A felicidade não está na realização de sonhos, mas na transformação da realidade através deles".
ResponderExcluirAcho que não estou onde eu imaginava estar, há 1 ou 2 anos atrás. Mesmo assim, sinto-me maior do que eu jamais imaginei ser, então não há com o que se frustrar, não é mesmo? Se eu fosse tentar indicar um caminho, apontaria para o limiar entre fazer a diferença e ser reconhecido. Aprendi muito com a forma de ser do clown, que faz tamanha diferença justamente por ser demasiadamente... humano!